Naquela cidade cinza e vazia, havia uma Joaninha. Tinha uma vida tranquila e ao mesmo tempo conturbada, eu diria.
Convivia com seus amiguinhos, estudava e trabalhava, como todos os outros.
Apreciava a natureza e a paz transmitida por ela. No meio da semana Joaninha resolveu passear e refletir sobre os obstáculos impostos pela vida.
Naquele dia as nuvens eram acinzentadas, o vento se aproximava de leve e o tempo demorava a passar, por um instante, Joaninha avistou uma luz, rica por suas cores e tão forte que a cegava.
Os dias se passaram e continuaram cinzas por um longo tempo, vieram dias difíceis, de tempestades impetuosas.
Ao fim daquela estação, Joaninha reencontrou aquela luz, era noite e ela pode notar que se tratava de uma linda Borboleta, uma espécie quase extinta.
Joaninha então se aproximou devagar, e elas se tornaram amigas. Aquela amizade se tornou tão importante, que em pouco tempo resultou em amor.
Era admirável a personalidade doce, gentil, paciente, generosa e carinhosa da Borboleta. Seu caráter, sua boa índole e capacidade de compreensão a encantaram.
Sempre ficava honrada em tê-la ao seu lado, aprendeu muitas coisas, começou a enxergar a vida com mais cor, mais amor. Tudo parecia mais fácil, mais leve de suportar.
O tempo passou, as estações mudaram, houve dias de sol, chuva e longas tempestades, algumas até difíceis de encarar eu diria.
Mas o amor e amizade perduraram. Por esses dias livres, encontrei ao acaso Joaninha e notei que algo havia mudado.
Aquela cor e brilho que ela transmitia já não refletiam a mesma intensidade.
As tempestades daquela estação pareciam mais fortes e pesadas, e cada vez mais sem cor.
Depois de trocar algumas palavras, finalmente compreendi;
A Borboleta estava de partida, pois sua cor já estava opaca, sua paciência rasa e gentileza fraca.
Estava de partida, queria respirar novos ares, mostrar ao mundo toda sua cor, fazer novas amizades, encontrar a felicidade.
Tinha muito apreço por Joaninha, e por isso fechava suas asas, tinha medo de machucá-la, ao mesmo tempo em que se mostrava frustrada, por estar presa ali.
Mal sabia que Joaninha já havia pressentido e perdia um pouco de sua cor a cada dia.
Ter partido.
Noutra estação, continuou-se uma vida tranquila e ao mesmo tempo conturbada, eu diria.
A foto veio de um ônibus, a história da alma.